domingo, 7 de abril de 2013

Fama

Desde que a mamãe trocou de carro, os baixinhos começaram a fazer o maior sucesso no trânsito. É que os vidros ainda não têm película protetora, o que acaba por expor toda a belezura do trio. João é um dos mais assediados e vem estranhando a nova fama: 

- Mãe, por que essa moto tá aqui do meu lado?
- Porque ela também está parada no sinal, filhinho.

E, enquanto dava um sorrisinho amarelo, ele perguntou, entre os dentes:

- Então por que o motorista tá me dando beleza?

É chato ser famoso, né, filho?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Responsabilidades

Pensando no que uma querida amiga disse. 

Crianças não têm que ser poupadas da realidade. Principalmente quando se trata de responsabilidades. O que o outro faz, ou deixa de fazer, não pode ser assunto proibido.

Sim, ele não veio. Sim, ele não fez o que prometeu. Sim, isso nos machuca. Sim, também queria que fosse diferente.

Poupar as crianças do que é significativo implica em criar um mundo imaginário. Às vezes mágico, às vezes fantástico, mas sempre mentiroso. Talvez isso torne a infância realista demais. Talvez torne a infância desenganada demais.

Mas certamente tornará adultos mais responsáveis.  

Pura verdade.
Obrigada pela reflexão, querida.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Revolução dos filhos

Ok, vocês ganharam toneladas de chocolate na Páscoa. Mas isso não lhes dá o direito de entupir os dentes de açúcar e dormir com bactérias fermentando em suas bocas todas as noites até o fim do último e infeliz ovo recheado. 

Não, meus filhos, isso é contra os meus princípios. A regra é clara e impera desde muito antes de vocês pensarem em existir: chocolate, só depois do almoço. E já que vocês só almoçam comigo aos finais de semana, já  têm sobremesa garantida para todos os sábados e domingos do ano. Não é ótimo?

Acho que não. Após ouvir o mesmo discurso que vem se repetindo desde a noite de domingo, João se rebelou:

- A gente é quiança! A gente quer ovo de Páscoa! 

O pior é que a voz do subversivo encontrou ressonância nos demais. Devo confessar que meu reinado está ameaçado.

E agora, espelho meu?

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Revolução das mães

Quem deu às mães o direito de sonhar com um banho tranquilo e sereno? Doce ilusão. Banhos com duração superior a cinco minutos, de porta fechada e sem confusões, nunca podem sair impunes. 

Isso é o que todos os filhos pensam, quase sempre com razão. 

Não mais comigo, meu bem.
Hoje, comecei o meu processo de libertação. Disposta a retomar a autonomia e o desfrute do meu banho, provei que sou capaz de ignorar a casa caindo do lado de fora do banheiro.

Assim que entrei debaixo do chuveiro, veio do quarto um grito estridente seguido de um choro assustador. Alguém está gravemente ferido, pensei comigo. Antes de sair ensaboada e descabelada do banheiro, respirei fundo e interroguei a testemunha grande:

- Pedro, o que está acontecendo aí?
- Um irmão bateu no outro.
- Machucou?
- Machucou.
- Está saindo sangue?
- Não.

Pois bem. Fosse o que fosse, podia esperar.
E voltei para o meu banho, linda e loira. 
Praticamente uma vitoriosa.

Se eu posso, você também pode.
Repita comigo: eu posso, eu quero, eu consigo!

terça-feira, 2 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Anatomia

Breve desentendimento após a passagem do coelhinho da páscoa:

Davi: - O meu ovo é pequenino.
João: - E o meu é gandão.
Pedro: Tem nada disso, gente. O coelhinho da páscoa só consegue botar ovo do mesmo tamanho.

Isso mesmo, filho.
Afinal, é uma questão de anatomia.